Helena Sarmento é cantora e fadista cuja obra se inscreve na tradição da canção em língua portuguesa, entendida não como herança fixa, mas como campo vivo de criação. Intérprete que inscreve a tradição no tempo presente e criadora dentro dela, desenvolve projetos que colocam a palavra no centro da experiência musical.
A sua interpretação alia contenção e intensidade, rigor e liberdade. No palco, cada concerto é menos exibição e mais encontro. Assim, afirma a tradição como matéria viva — atravessada por memória, identidade e presença.
O seu percurso criativo iniciou-se em 2003 e consolidou-se progressivamente na cena nacional e internacional. Por influência familiar, o fado esteve presente desde cedo na sua vida, a par de referências como a música popular portuguesa e a música brasileira, que ajudam a definir a diversidade estética e emocional do seu trabalho.
Da sua discografia fazem parte cinco álbuns: Fado Azul (2011), Fado dos Dias Assim (2013), Lonjura (2018, distinguido como Disco Antena 1), Liberdade, Liberdade! (2022) e Tanto Mar (2024). Os dois primeiros foram editados internacionalmente pela editora francesa Sunset France. Ao longo da carreira apresentou-se em vários países europeus e na América Latina.
O seu mais recente álbum, Tanto Mar (2024, com o apoio da Fundação GDA), foi produzido entre Portugal e o Brasil e contou com a participação de 13 músicos de reconhecido percurso artístico.
Também em 2024, criou e apresentou o ciclo de concertos comentados Liberdade, Liberdade! Espelho do que somos e do que queremos ser, uma iniciativa apoiada pela DGARTES para assinalar os 50 anos do 25 de Abril.
Em 2025, com o apoio da IberMúsicas, realizou a tour de Tanto Mar pela América do Sul, com 16 concertos em 10 cidades de três países — Brasil, Argentina e Uruguai.
A sua trajetória estabelece pontes entre Portugal e Brasil, expandindo-se também para outros contextos da América Latina, onde a sua música encontra escuta e ressonância cultural. Em disco e em palco, constrói universos sonoros que dialogam com o fado e com a canção sem recorrer à repetição de fórmulas.
Para Helena, cantar é mais do que interpretar repertório: é criar pertença, provocar emoção e abrir espaço de reflexão. A língua portuguesa permanece a sua principal casa artística, embora a emoção que procura comunicar ultrapasse qualquer fronteira.
